الاثنين، 21 ديسمبر 2015

ITALIANOS E SEUS DESCENDENTES SÃO PERSEGUIDOS EM PONTE NOVA MINAS GERAIS DURANTE A SEGUNDA GRANDE GUERRA

Os turbulentos anos 40
O Estado Novo, a II Guerra Mundial
e a repressão aos Imigrantes e aos seus Descendentes
O Ditador Getúlio Vargas 
                                   O Ditador Getúlio Vargas e O Estado Novo


Na década de 1930, e durante a Segunda Guerra Mundial, a campanha de nacionalização instituiu o aprendizado obrigatório do português e proibiu o uso da fala dialetal italiana. Os italianos eram considerados a "quinta coluna" e houve grande repressão policial nas colônias contra o uso do dialeto. Pessoas foram presas e até espancadas pela polícia ao serem pegas falando dialeto nas ruas. No mesmo período, formava-se um novo grupo de descendentes de italianos, mais urbanos e enriquecidos, que menosprezavam o dialeto e davam preferência ao português, enxergando o falante de talian como um colono grosso e rural, inferiorizando-o e estereotipando, como feio e néscio socialmente.

      A DITADURA VARGAS E A PERSEGUIÇÃO AOS IMIGRANTES

Resultado de imagem para BANDEIRA DO ESTADO NOVO DE GETULIO VARGAS
      DECRETO-LEI Nº 383, DE 18 DE ABRIL DE 1938
                                                                  Lei Abusiva e Ditatorial

Veda a estrangeiros a atividade política no Brasil e dá outras providências.
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, usando da atribuição que lhe confere o art. 180 da Constituição,
DECRETA:

     
Art. 1º Os estrangeiros fixados no território nacional e os que nele se acham em carater temporário não podem exercer qualquer atividade de natureza política nem imiscuir-se, direta ou indiretamente, nos negócios públicos do país. 

     Art. 2º É-lhes vedado especialmente:
     1 - Organizar, criar ou manter sociedades, fundações, companhias, clubes e quaisquer estabelecimentos de carater político, ainda que tenham por fim exclusivo a propaganda ou difusão, entre os seus compatriotas, de idéias, programas ou normas de ação de partidos políticos do país de origem. A mesma proibição estende-se ao funcionamento de sucursais e filiais, ou de delegados, prepostos, representantes e agentes de sociedades, fundações, companhias, clubes e quaisquer estabelecimentos dessa natureza que tenham no estrangeiro a sua sede principal ou a sua direção.
     2 - Exercer ação individual junto a compatriotas no sentido de, mediante promessa de vantagens, ou ameaça de prejuízo ou constrangimento de qualquer natureza, obter adesões a idéias ou programas de partidos políticos do país de origem.
     3 - Hastear, ostentar ou usar bandeiras, flâmulas e estandartes, uniformes, distintivos, insígnias ou quaisquer símbolos de partido político estrangeiro.
     Essa proibição será estendida, a critério do ministro da Justiça e Negócios Interiores, a quaisquer sinais exteriores de filiação política, ainda que não constantes de disposições legais ou estatutárias.
     4 - Organizar desfiles, passeatas, comícios e reuniões de qualquer natureza, e qualquer seja o número de participantes, com os fins a que se referem os incisos ns. 1 e 2.
     5 - Com o mesmo objetivo manter jornais, revistas ou outras publicações, estampar artigos e comentários na imprensa, conceder entrevistas; fazer conferências, discursos, alocuções, diretamente ou por meio de telecomunicação, empregar qualquer outra forma de publicidade e difusão.

      Parágrafo único. Excetuam-se da proibição contida no inciso 3º as bandeiras que sejam reconhecidas como símbolos de nações estrangeiras.

     Art. 
3º É lícito aos estrangeiros associarem-se para fins culturais, beneficentes ou de assistência, filiarem-se a clubes e quaisquer outros estabelecimentos com o mesmo objeto, bem assim reunirem-se para comemorar suas datas nacionais ou acontecimentos de significação patriótica.
      § 1º. Não poderão tais entidades receber, a qualquer título, sub-venções, contribuições ou auxílios de governos estrangeiros, ou de entidades ou pessoas domiciliadas no exterior.
      § 2º. As reuniões autorizadas neste artigo não serão levadas a efeito sem prévio licenciamento e localização pelas autoridades policiais.
     Art. 4º As proibições contidas nos artigos anteriores alcançam as escolas e outros estabelecimentos educativos mantidos por estrangeiros ou brasileiros, e por sociedades de qualquer natureza, fim, nacionalidade e domicílio.

      Parágrafo único. Fica-lhes, contudo, ressalvado o direito ao uso de uniforme escolar e às reuniões para aulas e outros fins de ordem didática.
    
 Art. 5º Das entidades a que se refere o art. 3º não podem no entanto fazer parte brasileiros, natos ou naturalizados, e ainda que filhos de estrangeiros.
     Os que infringirem o disposto neste artigo perderão, ipso facto, os cargos públicos que possuirem e ficarão inhabilitados, pelo prazo de cinco anos, para exercer cargo dessa natureza, alem de incorrerem nas penas constantes da primeira parte do art. 10.

     Art. 6º As entidades referidas nos arts. 3º e 4º não poderão funcionar sem licença especial e registo concedido pelo Ministério da Justiça e Negócios Interiores, na forma do decreto-lei n. 59, de 11 de dezembro de 1937, e do regulamento aprovado pelo decreto n. 2.229, de 30 de dezembro de 1937, cujas disposições lhes são aplicáveis.
     Art. 7º As entidades, cujo funcionamento é proibido no art. 2º, ficam dissolvidas na data da publicação desta lei, sendo-lhes concedido o prazo de trinta dias para o encerramento de quaisquer negócios e operações.
     Art. 8º O Ministro da Justiça e Negócios Interiores poderá ordenar a interdição das sedes e de todos os locais em que se exerçam as atividades que ficam vedadas por esta lei, bem como, a qualquer momento, vetar a realização de reuniões, conferências, discursos e comentários, e o emprego de qualquer meio de propaganda ou difusão, desde que os considere infringentes das disposições desta lei. Pelo mesmo motivo, poderá suspender, temporária ou definitivamente, quaisquer jornais, revistas e outras publicações, e fechar as respectivas oficinas gráficas.

      Parágrafo único. Nos Estados e no Território do Acre, a faculdade conferida neste artigo poderá ser delegada, ainda que por via telegráfica, aos respectivos governos.

     Art. 9º O Ministério da Justiça e Negócios Interiores exercerá fiscalização permanente sobre as entidades mencionadas nesta lei. Para esse fim, o Ministro de Estado designará, dentro dos quadros do Ministério, os funcionários que se fizerem necessários, podendo delegar essa atribuição, nos Estados e no Território do Acre, a funcionários indicados pelos respectivos governos.
     Esses funcionários exercerão gratuitamente a fiscalização, sendo-lhes apenas abonadas diárias e ajudas de custo, fixadas pelo Ministro e a critério deste.

     
Art. 10. Os que infringirem as prescrições desta lei incorrerão nas penas constantes do art. 6º do decreto-lei n. 37, de 2 de dezembro de 1937, ou serão passíveis de expulsão, a juízo do governo.

      Parágrafo único. As penalidades cominadas neste artigo aplicam-se aos diretores das sociedades, companhias, clubes e outros estabelecimentos compreendidos nas proibições desta lei, bem como a quaisquer responsáveis pelos mesmos, seus sócios, contribuintes ou não, e empregados remunerados ou gratuitos.
     Art. 11. Esta lei entrará em vigor na data em que for publicada, e o seu texto será remetido, para este fim, aos governos dos Estados e do Território do Acre; revogadas as disposições em contrário.
Rio de Janeiro, em 18 de abril de 1938, 117º da Independência e 50º da República.
GETÚLIO VARGAS
Francisco Campos


SEGUNDA GUERRA MUNDIAL - A UNIÃO DO EIXO ALEMANHA E ITÁLIA


                                    

 
                     Os Ditadores Mussolini e Hitler - Segunda Guerra Mundial
                                Itália Fascista   e   a   Alemanha Nazista

Todos esses fatores levaram a criação de um estigma de ser oriundi e falante de talian e os pais italianos, muitas vezes optavam por não transmitir a língua a seus filhos, para evitar que estes fossem estigmatizados ou motivo de chacota nas escolas, por serem descendentes dos carcamanos como eram chamados, e os filhos, para fugir da zombaria, optavam por falar corretamente o português, excluindo dos grupos os que não falavam bem o português, ou, por falá-lo com sotaque, ou seja: com uma fonética italiana. 

O êxodo rural também contribuiu para o declínio no uso da fala dialetal, pois nos centros urbanos a língua portuguesa era dominante e as gerações nascidas no meio urbano não adquiriam o talian como língua materna.

 O uso do dialeto foi se perdendo ao longo das gerações. A primeira e a segunda gerações nascidas no Brasil costumavam falar o dialeto, mas a partir da terceira já começa a haver a perda gradual do uso, por meio do bilinguismo com o português. Na quarta geração o dialeto é apenas uma memória familiar e na quinta desaparece a memória também.

Com a entrada do Brasil na Segunda Guerra Mundial, os ítalos brasileiros passaram a sofrer grande repressão do governo, da população “nacional” e da própria mídia, que fomentava e alarmava a população, taxando-os de “inimigos da nação”. 

No dia 22 de agosto de 1942, o Brasil declarou guerra ao Eixo, entrando definitivamente na Segunda Guerra Mundial (II GM). 

Essa atitude foi justificada pelo afundamento de vários navios brasileiros por submarinos alemães, e motivada por forte pressão norte-americana, afetando diretamente a vida dos imigrantes italianos e alemães, chamados de “Eixistas”. 

A fim de diminuir a influência e a forte resistência à assimilação por parte das comunidades de imigrantes, c, o qual seria feita pela aprendizagem e uso exclusivo do idioma nacional, portanto, exigia que todos os professores fossem naturais do Brasil, exigia que todo o ensino fosse ministrado em língua portuguesa e proibia a circulação de qualquer material em idioma italiano ou alemão. 

                    
          Getúlio Vargas e Seus Assessores no Palácio do Catete, após declarar guerra ao eixo

Com a ilegalidade do uso do idioma italiano ou alemão, foi destruído o suporte para a preservação da memória e da cultura nas comunidades ítalos/teutas. 

As escolas que não se submeteram a essa lei foram fechadas. 

O número de escolas fechadas no país após 1938, chegou a 1.060, com um total de 40.585 alunos matriculados. 

A partir de 1939 a política de abrasileiramento recrudesceu, tornando a assimilação impositiva.

Outros decretos viriam a restringir o ingresso de novos imigrantes italianos e alemães no Brasil, a fim de consolidar o projeto de nacionalização vigente.

Vale ressaltar, que em abril de 1938, o governo já havia colocado fim às atividades da Ação Integralista Brasileira, cujo caráter nazo/fascista tornava-a uma ameaça ao governo.


Casa Mazzeo, em Ponte Nova, Minas Gerais, foi alvo de manifestações durante a segunda guerra mundial

Uma grande corrente de intelectuais e políticos pressionava o governo a se alinhar com os Estados Unidos, reforçando o contingente de nações aliadas contra o terrível perigo que era o nazi-fascismo. Forças antagônicas se uniam nesta causa. O próprio Luiz Carlos Prestes, uma das maiores figuras do comunismo brasileiro de todos os tempos, então encarcerado, escreve ao líder Integralista Severo Furnier:

"nessa luta, meu amigo, não devemos ver os homens e apoiar até o próprio Getúlio se amanhã se compreender o necessidade nacional de tal programa. E quem lhe escreve isto é o homem que, pessoalmente, tem a Getúlio o mais justificável ódio. Você deve saber que foi ele quem mandou entregar a Hitler minha dedicada companheira em estado adiantado de gravidez".

Outra parte da opinião pública apoiava o nazismo. Principalmente em áreas de colonização alemã e italiana, em maior número de Minas Gerais e São Paulo para o sul, surgem os movimentos pró-Eixo e aparecem os grupos paramilitares financiados por empresários imigrantes.

Em Ponte Nova surgem grandes movimentos contra comerciantes italianos radicados na cidade.

José Mazzeo, estabelecido no ramo de gêneros alimentícios,  Domingos Pesce, no de ferragens, e João Domenici, no ramo de funerária e artigos mortuários, por exemplo, foram alvos de antipatias, e em certas ocasiões a turba furiosa chegou a ameaçar de espancamento, e invadir e saquear, suas casas comerciais.

Mesmo o País não estando oficialmente em guerra, Ponte Nova sofria com os efeitos devastadores na economia, em razão do confronto que se irradiava por todo o mundo.

Os cafeicultores já vinham enfrentando sérias dificuldades, e, a partir de 39, também a cultura da cana-de-açúcar é ameaçada por uma crise aguda.

A usina de álcool anidro que estava sendo construída peio governo federal e que se tornaria, mais tarde, a "Destilaria da Raza", ou "Leonardo Truda", achava-se com seu cronograma atrasado e a previsão de inauguração para princípios de 1940 dilatou-se para o ano seguinte. As usinas de açúcar particulares estavam estranguladas pelas cotas de produção, e o preço no mercado internacional despencava.

As lideranças rurais se mobilizavam para reivindicar aos governos estadual e federal medidas de apoio à classe. Criou-se uma comissão que deveria ir ao Rio de Janeiro entrevistar Getúlio Vargas, quando pleiteariam, dentre outros benefícios, o aumento da cota das usinas. Depois da capital da República, a comissão deveria estar em Belo Horizonte com Benedicto Valladares, a quem iria solicitar a diminuição de impostos estaduais sobre os produtos da cana.

Nessa ocasião existiam duas fortes entidades ligadas ao setor: a Associação dos Agricultores e Fazendeiros de Ponte Nova, presidida por José Pinheiro Brandão, e o Sindicato dos Plantadores de Cana de Ponte Nova, que tinha como presidente Oswaldo de Albuquerque.

No País funcionava muito bem a assessoria de imprensa de Getúlio. As homenagens, na grande maioria das vezes injustificadas, ao "Pai dos Pobres", ao "Amigo dos Trabalhadores", espocavam em todos os cantos da Nação, estimuladas por assessores do Palácio do Catete.

No dia 10 de novembro de 1940, comemorou-se em Ponte Nova o aniversário do ditador com pompas pouco comuns. Desfilaram alunos da Escola Normal Nossa Senhora Auxiliadora, do Ginásio Dom Helvécio, dos grupos escolares. Em palanque armado na Praça Getúlio Vargas, dezenas de discursos exaltaram o governo getulista. Falaram, dentre outros, Otávio Soares; padre Alcides Lanna, Diretor do Ginásio Dom Helvécio; José Maria Paradas, Inspetor Escolar; e Celso Vieira Vasconcellos e Maria do Carmo Brandão, estudantes. O clima de apoteose aumentou com a participação da Banda de Música São Sebastião.

Esse euforismo e esse culo à personalidade do governante refletiam também nos governos e nas pessoas dos administradores do Estados e dos municípios.

No caso de Ponte Nova, nem todos percebiam que a administração municipal era eficaz e trazia benefícios concretos para a cidade, mas o fanatismo, reflexo da propaganda global, tornavam os elogios unânimes. Mesmo aqueles incapazes de perceber a eficiência do Governo Otávio Soares, sempre pautado pela seriedade e austeridade, aplaudiam entusiástica e alienadamente seu governo, como faziam o de Getúlio e de Benedicto.

Em agosto de 1940 grande concentração popular no largo de Palmeiras homenagem a Otávio Soares. No encontro foram muitos os discursos de agradeciemento ao governante municipal pelas obras ali realizadas. No palanque estavam também os diretores da Companhia Melhoramentos de Ponte Nova,Aristides Mendes Lins e Reinaldo Alves Costa. Em todos os pontos da cidade eram exaltados o trabalho e, principalmente, a figura do Prefeito Municipal.

Em 28 de novembro desse mesmo ano, foi a vez da agremiação esportiva "Sociedade Sportiva Primeiro de Maio" receber Otávio Soares. A reunião, concorridíssima, com pronunciamentos e a afixação de seu retrato no Salão Nobre do clube, foi motivo de ampla divulgação pela imprensa local.
As obras continuavam num ritmo ditado por Otávio: não era acelerado, mas também não comprometia o orçamento da municipalidade.

Uma nova represa foi construída no "Possa Cinco", pelo empreiteiro Reinaldo Alves Costa, para aumentar a capacidade de armazenamento de água, suprindo assim, o constante aumento da demanda do produto.

Ao engenheiro Aldo Aviani foi encomendado o projeto para o remodelação da Avenida Custódio Silva que ligava o Centro ao Bairro Palmeiras. Para aqueles que necessitassem fazer este percurso, existia o ônibus da Empresa Santa Teresinha, de José Graça, que cobrava passagem de 200 réis.

Os horrores da guerra se espalhavam pela Europa. A economia do mundo estava combalida, e somente prosperava a indústria bélica, principalmente a americana.

No Brasil, eram marcantes os incômodos econômicos gerados pela Guerra Mundial. Eram impostas restrições à importação do petróleo, e o uso do gasogênio o País. Grandes tanques externos, verdadeiros trambolhos, eram fixados na parte de trás dos veículos e serviam para a queima do carvão e a conseqüente produção do gás que moviam carros, caminhões e até tratores.

Quase três anos depois de iniciado o confronto militar que fazia milhares de vítimas na Europa, em 1942, o governo brasileiro, após ter diversos navios afundados por embarcações alemãs, resolve declarar guerra ao Eixo.

Getúlio Vargas continuava a governar com a sua característica populista, ajudado pela forte campanha publicitária desenvolvida pela sua assessoria. Aniversário do ditador, aniversário de sua posse, aniversário da Revolução de 1932, aniversário do golpe de 1937, a qualquer pretexto eram realizadas festas e comemorações, em todos os pontos da Nação, para perenizar o nome da "figura ímpar e revolucionária de Getúlio Vargas", na expressão muito usada na imprensa ponte-novense.

Após as festas, os desfiles, os fogos, os discursos que chegavam às raias da bajulação, vinham os jornais com matérias extravagantes:

"Entretanto, é justo que se reconheça que estas comemorações tem toda a sua razão de ser, porque Getúlio Vargas, com a sua bondade, com a suo energia, com o seu alto tino administrativo, com a sua longa visão sobre o panorama político nacional e quiça, mesmo, internacional, soube indiscutivelmente, influir com decisão absoluta na história pátria".

Ocorriam as grandes transformações na economia do Brasil. Iniciava-se um processo de industrialização no País, e com isso grandes massas afluíam do interior para as grandes cidades. Surgia a Siderúrgica de Volta Redonda, a Petrobrás e com elas a forte participação do Estado na economia nacional. A unidade monetária passou a ser denominada "cruzeiro", e Getúlio promulga a "Consolidação das Leis do Trabalho".

No campo político também ocorriam importantes mudanças. O brasileiro estava indignado com os métodos empregados pelo nazi-fascismo e começava a desconfiar de um governo que, combatendo países totalitários, tinha pouco ou quase nada de democrata.

Exilados começam, já do exterior, a articular a criação de um partido para combater o "Estado Novo", e o Partido Comunista reúne a sua Comissão Reorganizadora , em algum lugar nos arredores de Rezende-RJ.

É lançado o "Manifesto dos Mineiros", assinado por Pedro Aleixo, Virgílio de Mello Franco, Arthur Bernardes, Milton Campos e outras expressões da política mineira. Esse documento cobrava a redemocratização imediata do País e exigia o plebiscito previsto na Constituição de 1937.

A Força Expedicionária Brasileira, que partiu, em 1944, com 23.344 praças, também ativou o orgulho e o espírito democrático do povo brasileiro.

Tudo que ocorria pelo País a fora refletia em Ponte Nova. A oposição, até então silenciosa, passa a dar sinal de que ainda existia e com ela surgia uma grande expectativa, gerada com a possibilidade de haver eleições em breve.

Em meados de 1944, Otávio Soares sente sua saúde combalida. De início é diagnosticada uma hepatite e, em seguida, advém uma forte crise de tuberculose pulmonar, no ainda jovem prefeito ponte-novense. Com os recursos ainda restritos da medicina da época, o mais indicado foi a sua transferência para uma região de clima ameno, onde se tentaria restabelecer sua saúde. Assim, Otávio Soares seguiu para a Cidade de Palmira (hoje Santos Dumont), clima de montanha, terra natal de sua esposa e onde serviu como Promotor de Justiça por algum tempo, antes de ingressar na política.

Todos os meios foram tentados em vão, e Otávio Martins Soares faleceu, naquela cidade, no dia 23 de outubro de 1944, aos quarenta e sete anos de idade.

Eis aí a explicação do desaparecimento da colônia italiana em Ponte Nova Minas Gerais, a imposição do Getulismo, do Estado Novo, á imposição da cultura nacional aos imigrantes, erradicando e sepultando suas culturas de origem.

Assim, observemos que a política de Ponte Nova á época da Segunda Guerra, era totalmente getulista, e assim por força de lei federal, com ajuda da polícia e da população ufanista, povo moldado por força política, e pelos interesses políticos, exterminaram e extirparam do município os imigrantes italianos e seus descendentes.

Turbas surgiram em Ponte Nova e pelo Brasil, que com o aval do poder público e ajuda da polícia política, invadiram, e saquearam os bens dos italianos e de seus descendentes, impuseram espancamentos a esse contingente, que foram obrigados a se calarem, e a esquecer seus idiomas, sua cultura,  e para se nacionalizar mudaram a grafia de seus nomes, para fugir da repressão estatal.

E por fim, o Estado Brasileiro, deve por obrigação moral, ressarcir os danos materiais e morais impostos a estes imigrantes e seus descendentes.

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