الاثنين، 21 ديسمبر 2015

A REVOLTA DOS IMIGRANTES DA FAZENDA IBICABA

  FAMIGLIA DOMENICI DI BORGO A MOZZANO 
                                  DI LUCA GIOVIANO - LUCCA - TOSCANA - ITALIA                             
                                                                  1875-2015 no Brasil  

Fazenda Ibicaba, propriedade do Senador Nicolau Pereira de Campos Vergueirolocaliza-se em CordeirópolisEstado de São Paulono BrasilO nome "Ibicaba" vem do tupi (ibi = terracaba gorda ou fértil).
A fazenda foi aberta em 1817, tendo sido pioneira em várias atividades e eventos importantes para a região e também, na história brasileira. A exemplo, podemos citar:
O proprietário da fazenda, Senador Vergueiro, por iniciativa própria, trouxe para Ibicaba (então Município de Limeira), em 1846, cento e setenta e sete famílias de colonos, italianos,  suíços e alemães, para trabalharem no chamado Sistema de Parceria, onde a produção era dividida igualmente entre proprietário e parceiros (colonos).

Isso ocorreu concomitantemente à utilização de mão-de-obra escrava, uma vez que a Ibicaba não se desfez de seus cativos.
Pelo sistema, os imigrantes comprometiam-se ainda a cuidar de um determinado número de pés de café, em troca de uma porcentagem do que fosse obtido quando da venda dos grãos. Era-lhes permitido o plantio de pequenas culturas de subsistência, partilhando, assim como o café, a produção com o proprietário das terras.
À época, a experiência não foi bem-sucedida: os colonos, liderados por Thomas DavatzGianfrancesco Domenici, questionaram os valores de pesagem das sacas de café pelo Senador Vergueiro, bem como os critérios para a divisão dos lotes de terra. O forte descontentamento resultou num levante armado na fazenda, conhecido como Revolta dos Parceiros, que necessitou da intervenção de forças policiais para estabilizar a situação, em que os líderes dos imigrantes revoltosos, foram presos e espancados até quase a morte, e por fim deportados, Thomas para Alemanha, e Gianfrancesco para a Itália. 

A revolta resultou, em primeira monta, na proibição, pelos governos daItália, Suíça e da Alemanhada emigração para o Brasil e desgastou a imagem do Sistema de Parceria, causando a sua decadência. 

Outros problemas similares com o sistema foram registrados na região, o que levou ao seu abandono definitivo no final da década de 1850.

Face à decadência do Sistema de Parceria, a Fazenda Ibicaba investiu na compra de mais escravos, aumentando a sua produção. 

Ela foi, no período entre 1860 e 1870, a maior produtora de café do Brasil. Tinha, nessa época 1.250.000 pés plantados.

Em 1865 foi decretada a falência das empresas da família Vergueiro e, em 1890, a propriedade foi arrematada em hasta pública pelos irmãos Simão e José Levy, antigos colonos que haviam chegado à fazenda em 1857

Pagas as suas dívidas, os irmãos enriqueceram como banqueiros na cidade de Limeira. Sob a administração dos Levy, a Ibicaba reforçou, após intervenção política da corte com o governo da Itália, na contratação de imigrantes italianos.

Com a criação do Município de Cordeirópolis, desmembrado do de Limeira a partir de 1948, as terras da fazenda passaram a integrar o novo município. Dividida em processos de herança, a fazenda, diminuída, foi vendida em 1975 José Theodoro Carvalhaes.   


PRIMEIRA LEVA IMIGRATÓRIA DA ITÁLIA PARA O BRASIL DE 1875 a 1870

No final do século XIX o Brasil iniciou uma política de incentivo a imigração estrangeira, principalmente européia, para atender a falta de mão-de-obra de 1892 a 1897, pois com a abolição da escravatura, os negros estavam livres e os agricultores buscavam mão-de-obra. Os estados de MG e SP foram ajudados pelo governo central. 

O governo de MG criou uma superintendência em Gênova, Paris e Lisboa, o emigrante do norte da Itália principalmente da região de Vêneto, como tinha aptidão para a agricultura era o mais procurado. 

Fatores agravantes internos na Itália, como a fome assolando o norte do país, o aumento de impostos e o desemprego impulsionou muitos italianos a saírem do país. 

O governo italiano aproveitou o momento colocando prisioneiros anarquistas nos navios para o Brasil.

Os imigrantes que aqui chegavam, trazidos pelo sonho de uma vida melhor e fugindo de conflitos na Europa, desembarcavam nos portos do Rio de Janeiro, São Paulo e Espírito Santo, vindos na maioria da Itália, outros em menor numero da Espanha, Portugal e outros paises da Europa.



Os navios que transportavam os imigrantes eram ex-navios negreiros. Era comum doença no navio, como a peste negra. A viagem durava 30 dias,sendo que muitos imigrantes trocavam de nomes durante a viagem.



Pelo porto do Rio de Janeiro, muitos foram encaminhados, para um escritório de imigração de Ponte Nova/MG, logo em seguida eram enviados á Hospedaria Horta Barbosa em Juiz de Fora, onde eram registradas as famílias e permaneciam no máximo por 05 dias. As condições da hospedaria eram muito precárias. Os destinos das famílias eram decididos naquele local, sendo, ou contratados por particulares para trabalhar nas plantações de café ou aqueles que tinham algumas economias partiam para alguma localidade onde podiam começar o seu próprio negócio. Nas hospedarias, os fazendeiros buscavam trabalhadores para as suas plantações. As crianças começavam a trabalhar aos 8 anos na lavoura de café. Os casamentos eram realizados nos meses de setembro, outubro e novembro ou em maio, devido o fim da colheita e quando recebiam o pagamento.


O estado de Minas Gerais começou a receber os imigrantes pela cidade de Juiz de Fora, depois foram instalando grandes colônias italianas nas cidades de Barbacena e São João Del Rei. Muitos proprietários mineiros não gostavam de imigrantes, possibilitando o deslocamento para outras regiões como São Paulo, Sul do país e indo alguns para a Argentina.



Durante a 2ª Guerra Mundial, o então presidente da república Getúlio Vargas aliou-se aos aliados, e como a Itália estava apoiando a Alemanha Nazista, os italianos que aqui estavam trocaram de nomes com medo de serem perseguidos.



Estão incluídas dentre a primeira leva de imigrantes que aqui chegaram no meado do século XIX, os irmãos Sivestro, Gabrielo e Luigi Domenici,foram membros de uma das tantas famílias que vieram da Itália para o Brasil em busca de uma vida melhor.



OBJETIVO DA PESQUISA SOBRE A FAMÍLIA DOMENICI

Como já descrevi, em algumas matérias deste blog, em mínimos detalhes, da possível trajetória da FAMIGLIA DOMENICI, da Cidade de Luca Gioviano, Comune di Borgo a Mozzano, na região da Toscana, Lucca, Itáliasua saga e a de seus descendentes no Brasil.

Vamos buscar informações principalmente dos primeiros imigrantes no Brasil e mostrar a luta e dificuldades que passaram para sobreviver em tempos muito difíceis.

Outro objetivo é o de que os meus descendentes e os das famílias DOMENICI que ainda virão, saibam de onde os ancestrais vieram e como se disseminaram pelo Brasil.

Toda essa busca por esse objetivo começou com com meu falecido pai Ernani Domenici, que no ano de 2002, após o falecimento de minha mãe Maria, pediu a mim que fosse a cidade de Ponte Nova, Minas Gerais, local de nascimento de sua genitora, minha avó, no ano de 1884,  filha de Silvestre Domenici.

Desde então, parti para busca e pesquisa da historia da família Domenici, na cidade de Ponte Nova/MG, onde poderia conseguir os documentos. 

Como sempre tive interesse em saber as historias dos meus antepassados, fiquei mais motivado em não só conseguir os documentos, mas documentar esses relatos. Em julho de 2002, parti em busca do meu objetivo visitando, além de Ponte Nova/MG, algumas outras cidades do interior de minas, situadas na Zona da Mata Mineira e Vale do Rio Doce, por onde obtive informações da presença dos meus familiares ao chegarem ao Brasil. 

Assim, pude descobrir, que os primeiros imigrantes, vieram para o Brasil, com o apoio do Império, para se fixarem nestas terras na condição de meeiro do colono, o que mais tarde na república, foi revogado pelo então militares do poder, que incentivaram uma nova leva imigratória ao país, em que a figura do estrangeiro restringia-se a um mero serviçal, que ocuparia nas lavouras o lugar dos ex cativos, alcançados pela Lei Áurea, de 13 de maio de 1888.

O Sistema de Parceria Territorial Com o Imigrante Europeu

Século XIX - 1875

A primeria leva da imigração, iniciou-se no nosso país baseada em um sistema de acordo laboral, entre o colono brasileiro e o imigrante, chamado “parceria”, como já descreito em intróito, idealizado por um grande fazendeiro, o Senador Vergueiro, influênte na Corte Imperial, na década de 1840. 

Por esse sistema, o fazendeiro pagava as despesas da viagem do imigrante, fornecia a alimentação a crédito, as ferramentas, alguns pés de café e um lote de terra para que plantasse gêneros de subsistência. Quando os pés de café começavam a produzir o imigrante deveria ressarcir o fazendeiro, pagando-lhe o capital investido com jurus, além de entregar metade de sua produção de café. 

O imigrante dificilmente conseguia pagar o fazendeiro e ficava preso à fazenda, o que causava tensões e conflitos entre trabalhadores e patrões. 

O sistema de “parceria” não deu certo, muito embora tenha sobrevivido por um longo tempo no campo brasileiro. 

Os imigrantes exerciam diversas funções em seus países de origem, eram artesãos, trabalhadores da indústria doméstica e, mesmo sendo camponeses, não sabiam cuidar dos pés de café. Além disso, recebiam dos fazendeiro as piores terras, pouco produtivas, e viviam endividados. 

Entretanto, o problema mais grave da imigração residia no tratamento dispensado aos imigrantes pelos fazendeiros que, acostumados com a escravidão, tratavam os trabalhadores como se fossem escravos. 

Por isso tudo, várias revoltas eclodiram, o que aconteceu inclusive na fazenda Ibicaba, de propriedade do idealizador do sistema de parceria.

Apesar de o sistema não funcionar como fora idealizado, o projeto de Vergueiro, um homem muito além de seu tempo, era muito interessante. Em primeiro lugar, o senador acreditava que os imigrantes, livres dos débitos, poderiam se estabelecer por conta própria. 

Família italiana trabalhando na lavoura de café no século XIX.

É bom relembrar, que as mulheres e as crianças acima de 10 anos também laboravam nas lavouras de café e cana de açúcar.

Também preocupava-se com a educação primária e secundária dos trabalhadores do campo, além de criar um fazenda modelo para ensinar práticas agrícolas aos imigrantes.

Como se pode perceber pelo projeto de Vergueiro, uma vez que o imigrante pagasse as dívidas contraídas, poderia se estabelecer por conta própria. Isto quer dizer que era possível que o imigrante abandonasse seu empregador e se estabelecesse em um pequeno lote de terra. E esse era um grande problema que tinha de ser resolvido. Se o trabalhador não era mais cativo, a terra não podia continuar a ser livre como fora desde os tempos coloniais. 

O governo brasileiro não queria que a agricultura brasileira se desenvolvesse por meio de pequenas unidades de produção.

Defendia a continuidade da agricultura de exportação baseada na grande propriedade de terra.

Nessa medida, o governo imperial precisava encontrar uma forma de impedir que os imigrantes se aproximassem da terra livre que existia, em abundância no Brasil.


A solução encontrada pelo governo imperial para a questão territorial foi a promulgação da Lei de Terras, em 1850, que atribuía valor imobiliário às terras, que não seriam mais doados como haviam sido as sesmarias. 

Essa lei foi um dos estatutos responsáveis pela consolidação dos latifúndios no Brasil com o fechamento da fronteira agrícola e exclusão do acesso à terra dos brancos e mulatos pobres, dos negros e da maioria dos imigrantes europeus.


Além do fechamento da fronteira agrícola, os pequenos proprietários passaram a ter, gradativamente suas terras espoliadas pelos latifundiários por meio do processo de grilagem. 

As terras devolutas, antes entregues pelo Império, aos primeiros imigrantes, que na proclamação da república, foram apropriadas pelos grandes donos de terras, ou por políticos grandes latifundiários, com o apôio da igreja católica, e por meio de falsificação de documentos, suborno dos responsáveis pela regularização fundiária e assassinato de posseiros.


Assim, a concentração de terras nas mãos de poucos, que se iniciara no período colonial, consolidou-se.

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