Em 1875, os filhos de Germanno Domenici e de Maria Domingas Domenici, deixaram Luca Gioviano-(LU) na Toscana, Itália, e foram para Ponte Nova/MG Brasil. Silvestro Domenici, Ansuno Domenici e Gabrielo Domenici, permaneceram na cidade de Ponte Nova/MG, e Luigi Domenici, foi para a Manhuaçu/MG, e lá fixou moradia. Gabriel, Silvestro e Luidi, casaram, e faleceram no Brasil, Ansuno, que veio ao Brasil casado, com Iselina Domenici, e trouxe a filha Gidda Domenici, voltou para a Itália, com a família.
الاثنين، 21 ديسمبر 2015
Findava o século XIX, e logo no início do século XX, na virada do século, o futebol havia chegado a Ponte Nova, Minas Gerais, quando surgiram no Rio de Janeiro os grandes clubes.Pontenovenses que lá estudaram trouxeram o gosto e as regras que organizavam os bate-bolas.
E assim; Juventino Domenici, o quinto filho, nascido do Italiano Gabrielo Domenici, que estudava desde o início do século XX, teologia católica apostólica romana, em seminário na cidade de Mariana, e havia ido ao Estado do Rio de Janeiro, para cursos de especialização e capacitação religiosa, desistiu da vocação clerical no décimo primeiro período de tal matéria, e retornou para a terra natal, Ponte Nova, Minas Gerais, e trouxe consigo, os ideais de fundar na cidade um time do tal esporte, e a tiracolo, as regras do foot-ball, esporte que a colônia inglesa, havia implantado no final do século XIX, nas terras fluminenses.
Em Ponte Nova, Juventino, juntamente com o irmão Geraldino Domenici, encontraram terreno fértil entre os filhos dos comerciantes brasileiros, e os “oriundis”, filhos colônia italiania, de Ponte Nova, abundantes nas primeiras atas do Macuco, como era, e ainda a é, conhecida, a gloriosa Sociedade Esportiva, Primeiro de Maio.
GERALDINO DOMENICI
“Domenici, Bettino, Bonfatti, Dinelli, Delucca, Iacommini, Parentoni, Travisani, Garavini, Garbazza, Piazza, Padovani, Trivellatto, Carboni, Zambonni, Zanvianni, dentre muitos outros.
Surgiram os grandes clubes de futebol de Ponte Nova, e em 1918 foi fundado, o 1° de Maio Foot-Ball Club, o seu primeiro nome, na antiga Rua da Olaria n° 09, por Geraldino Domenici, utilizando as dependências de sua residência como a primeira sede do clube, e na Rua Santo Antônio, um pouco mais á frente, o primitivo campo de futebol.
Ainda em 1919, com recursos próprios, o presidente e seu vice, Geraldino Domenici e o irmão Juventino Domenici, adquiriram por 650$000 (seiscentos e cinqüenta mil réis), nas proximidades da Rua da Olaria, parte de um terreno em que edificava uma casa e uma satisfatória gleba de terra, que serviu durante algumas décadas do século XIX, ao Exército Brasileiro, para a desenvoltura
das maneabilidades do Tiro de Guerra, e o anexaram ao terreno situado ao lado, onde edificava o antigo campo de futebol, doado anteriormente ao clube, pelos proprietários, irmãos Domenici, aumentando assim o espaço para feitura de um novo campo e local para abrigar as torcidas em dias de jogo.
Documentos antigos do Clube comprovam, que a diretoria composta pelo presidente geral e o vice, os irmãos, Geraldino Domenici e Juventino Domenici, filhos do italiano Gabrielo
Domenici, e, sobrinhos de Luigi e Silvestro Domenici, em novembro de 1919, promoveram uma campanha pela cidade, onde houve a distribuição, de diversas; solicitações, feitas em gráfica, de filiações e inscrições, com o escopo de aumentar a quantidades de afiliados da entidade, e com isso, concretizar, de maneira expressa, a construção da praça de esportes do 1º de Maio Foot-Ball Club, já que possuíam um terreno para tal.
O mais antigo documento de aquisição patrimonial da entidade data-se de 30 de novembro de 1919, dando conta do então presidente Geraldino Domenici, adquirindo pela quantia de 35$000 (trinta e cinco contos de réis), uma bola pneumática á cadarço, no comércio de nome “Depósito de Calçados Ideal, que funcionava á Rua Doutor João Pinheiro n° 170, de propriedade de David Antônio, aliás; um dos associados do clube.
O segundo documento, mais antigo, da conta ainda da ousadia da então presidência geral, comandada pelos irmãos Domenici, ao tomarem como empréstimo a significante quantia de 1.000.000$000 (Hum mil contos de réis), de outro italiano Giovanni Dinelli, conhecido popularmente na cidade por João Dinelli a 1% ao mês até o seu total embolso, com a dívida paga em 22 de dezembro de 1922.
Com a quantia tomada como empréstimo em novembro de 1919, o então presidente geral Geraldino Domenici e seu irmão Juventino Domenici como vice, ergueram a praça de esportes do clube, que foi inaugurada, 02 de maio de 1922, aos exatos seis meses, após a contração por empréstimo, da significante quantia pecuniária.
Geraldino Domenici presidira com presteza e dedicação, o então esquadrão carijó, como era conhecido o clube, pela população da zona mata mineira, até o ano de 1935, época, em que aos 17 de outubro daquele ano, criou, publicou e fez-se aprovar, o primeiro estatuto da entidade, que esboçava em seu artigo 1° (primeiro), os primitivos ideais dos “oriundis” italianos, que em nome da democracia desportiva social, fundaram o clube de futebol 1° de Maio, na cidade de Ponte Nova Minas Gerais.
É importante clarividenciar, que alguns anos antes da criação da entidade 1° de Maio pela colônia italiana de Ponte Nova, havia, sido fundada, pela aristocracia local, o Pontenovense Foot-Ball Club, em que os requisitos primordiais, exigidos na época, para filiar-se a entidade na condição de sócio ou de atleta, “que o então sócio pretendente”, não fosse negro, ou, e, afro mestiço, indígena, ou “oriundi” italiano ou de qualquer outra nacionalidade, que não fosse: a portuguesa, ou seus ascendentes brasileiros, caucasoides.
Relembrando que os fundadores, do então Club de Foot-Ball aristocrata, “Pontenovense”, foram os ascendentes dos grandes latifundiários, do século XIX, época do apogeu mundial, dos donos das usinas açucareiras de Ponte Nova, que possuíam naqueles tempos, grandes levas de escravos, e que após a promulgação da Lei Áurea pelo Império Luso Brasileiro, foram os responsáveis por contratar os imigrantes europeus, em sua maioria, italianos, para suprirem a mão de obra afro/escrava, então extinta em 13 de maio de 1888.
Neste norte, em 17 de outubro de 1935, Geraldino Domenici e seu irmão Juventino Domenici, perpetuaram no estatuto do 1° de Maio Foot-Ball Club, seus ideais democráticos, e da colônia italiana de Ponte Nova, e dos “oriundis” fundadores; Bettino, Bonfatti, Dinelli, Delucca, Iacommini, Parentoni, Travisani, Garavini, Garbazza, Piazza, Padovani, Trivellatto, Carboni, Zambonni, Zanvianni, dentre muitos outros.
Galeria de fotos dos presidentes em 100 anos de criação do clube
Assim ficou o artigo 1°, do estatuto da entidade 1° de Maio Foot-Ball Club, que passou a se chamar: “SOCIEDADE ESPORTIVA, PRIMEIRO DE MAIO”.“Sociedade, Esportiva Primeiro de Maio”, fundada em Ponte Nova, Minas Gerais, aos 06 de julho de 1918, se compõe de sócios em número ilimitado, sem distinção de nacionalidade, etinia, opiniões políticas, ou, crenças religiosas, e se destina a promover, estimular e promover a prática de todos os esportes e exercícios atléticos, especialmente ao jogo de Foot-Ball, organizando partidas, concorrendo, ás, organizadas por organizações congêneres, e realizando, quaisquer festas de caráter desportivo social”.
Devido aos ideais sociais de seus fundadores, o esquadrão carijó, ou macuco, como é conhecido carinhosamente pela sua grande torcida, o 1° Maio, passou a ser o clube da preferência pontenovense, e de seu grande celeiro de formação de craques do futebol, surgiram figuras lendárias, como na década de 1930, ainda nos primórdios do clube, o atleta José Silva, conhecido como “Zé Pretinho”, Jaci Lopes e Geraldo Simforim.
Nos anos de 1940, o foi a vez de brilhar pelos campos da zona mata mineira, envergando a gloriosa camisa alva e negra do esquadrão carijó, o lendário Rui Procópio, ponta esquerda habilidoso, super atleta, que inclusive casou-se com a Senhorita Yone Domenici, filha de Leonor Adalgisa Crivelari Domenici e Gabriel Domenici, este último, irmão mais novo de Geraldino Domenici e de Juventino Domenici, presidente e vice do Esquadrão Carijó.
Ruy Procópio, o primeiro agachado da direita para á esquerda
“O Miudinho da Canhota”
O Miudinho da Canhota, a um passe de Lauro, Ruy Procópio avança Colado, o couro aos pés, o olhar atento, Dribla um, dribla dois, depois descansa como a medir o lance do momento. Vem-lhe o pressentimento; ele se lança mais rápido que o próprio pensamento, dribla mais um, mais dois; a bola trança feliz, entre seus pés – um pé de vento! Num só transporte, a multidão, contrita em ato de morte se levanta e grita seu uníssono “UUUUUU”, canto de esperança. Ruyzinho, Ruy Procópio, o miudinho da canhota, escuta e atende: Gôooool! É pura imagem: um “R” que chuta a bola em “U”, como o grito da galera, dentro da meta, em “Y”, em homenagem a suaYONE amada, . É pura dança, é Ruy, o Procópio, o craque goleador, aquele; que a plateia do macuco encantou, e no vídeo tape do tempo a história gravou.
Marcos Domenici
o craque de futebol Rui Procópio, ao fundo fumando cigarros, ao lado da esposa Yone Domenici e dos filhos: Ruimar, Ricardo Luis, Rogério, Roberto, Renato, Risa Maria, Ronaldo, Ana Leonor, Renilda e Rina Domenici.
Ruy Procópio, já idoso
Ruy Procópio, já idoso, com os familiares
Balada de n° 07, composta, cantada e oferecida ao saudoso Mané Garrincha, pelo grande cantor Moacir Franco, eu, Marcos Domenici, autor deste Blog, ofereço-a ao saudoso e grandioso RUY PROCÓPIO
Yone Domenici esposa de Ruy Procópio
Desta feliz e ilibada união nasceram os seguintes Domenici: Ruimar, Ricardo Luis, Rogério, Roberto, Renato, Risa Maria, Ronaldo, Ana Leonor, Renilda e Rina Domenici.
Já nos anos 1960 e 1970, surgiram os craques Lauro e Reinaldo, figuras legendárias, de renome nacional e internacional, reveladas nos quadros de base do Esquadrão Carijó.
Reinaldo defendeu as cores do Clube Atlético Mineiro e da Seleção Brasileira nos anos 70, e o atleta Lauro, defendeu também as cores do Clube Atlético Mineiro e do São Paulo Futebol Clube.
Assim; ás vésperas de completar um centenário de glória desportiva e social, a Sociedade Esportiva, Primeiro de Maio, de Ponte Nova, Minas Gerais, aniversariar-se-á juntamente com a participação centenária da família Domenici, e de diversos outros “oriundis” da colônia italiana local, na criação, ascensão e democratização esportiva social brasileira, pioneira em uma época, de pouca cultura, e de outorgados luso/aristocráticos dogmas, pragmas e estereótipos sociais, políticos, religiosos e raciais, fundando, e, abrindo as portas da entidade desportiva, aos excluídos sociais.
E por fim; dê; vivas! A estes pioneiros desbravadores, que deixaram a Itália em meados do século XIX, com tudo o que vivera na infância, e parte da juventude, para aqui aportar, com poucas vestes em trajes, muitas até em trapilhos, e com a paupérrima mobília, trastes; trazidos amontoados em sacos, más; aqui, como tantas outras famílias imigrantes, com inteligência, senso de igualdade social, vontade magnânima de trabalhar e de vencer, fizeram história nestas terras tupiniquins, e assim fez a família Domenici, com a histórica fundação do 1° de Maio Foot-Ball Club em 1918, perpetuou-se no esporte Pontenovense, impusionando para posteridade histórica deste vasto país, a Famiglia Domenici di Luca Gioviano, Comune di Borgo a Mozzano, Toscana, Italia, na figura dos patriarcas Gabrielo, Luigi e Silvestro Domenici e os seus ascendentes.
AS USINAS DE AÇÚCAR DE PONTE NOVA NO SÉCULO XIX
"Uzina Anna Florência"
O plantio da cana-de-açúcar em Ponte Nova, em meados do século XIX, já havia se disseminado a tal ponto, que a maioria absoluta das grandes propriedades possuía engenhos e, em vastas extensões de terra, haviam se formado grandes lavouras.
Até a segunda metade do século, os engenhos eram movidos ou a tração animal ou através de rodas d'água. A aguardente e o açúcar cansado e de forma eram largamente exportados para diversas regiões do Estado.
O primeiro engenho de ferro fundido, com moendas dispostas no sentido horizontal, que chegou a Ponte Nova foi instalado na Fazenda Sacramento. Seu proprietário, o Dr. Francisco Martins Ferreira da Silva, ex-deputado, adquiriu a máquina do governo da Província, que havia comprado para difundir a novidade em Minas Gerais.
Em seguida, no ano de 1862, a Fazenda do Vau-Açu, pertencente aos herdeiros de José Francisco do Monte, e a do Pontal, de Francisco Machado de Magalhães, instalaram engenhos horizontais, importados da Inglaterra.
O primeiro Engenho Central, ou Usina de Açúcar, de toda a Minas Gerais foi instalado em Ponte Nova, no ano de 1885.
Os irmãos Francisco e José Vieira Martins, estimulados pelo sucesso do Engenho Central de Quipamã, que já operava há cinco anos na Cidade de Araruama-RJ, resolveram constituir a firma Vieira Martins & Cia, para viabilizar a instalação de uma usina em Ponte Nova que se tornaria a primeira indústria açucareira de Minas Gerais.
Os sócios fundadores desta usina foram os irmãos Francisco, José e Ângelo Vieira Martins, o cunhado deles Manoel Vieira de Souza, fundador da Cidade de Rio Casca.
Nascido no local denominado "Minhocas", José Vieira Martins transferiu-se para Ponte Nova, adquiriu a Fazenda do Pião e casou-se com Anna Florência Martins.
Jovem ainda, aos 46 anos de idade faleceu, em 1863, deixando a viúva e quatro filhos: Ângelo, qe se diplomou em direito pela Faculdade de São Paulo, Francisca Florência, que se casou com o Dr, Manoel Vieira de Souza; e os gêmeos José e Francisco que concluíram o curso da Academia de Medicina do Rio de Janeiro em 1882.
Retornando imediatamente após suas formaturas, os jóvens médicos dão início as obras de construção do Engenho Central.
A Fazenda do Pião era local apropriado para a instalação da Usina: próximo a Ponte Nova, de boas proporções e possuidora de terras férteis.
As teraplanagens e as construções de diques, túneis, estradas e demais obras pesadas ficaram sob a responsabilidade do Sr.Antônio Moreira Maciel Pinto.
Contratada na cidade de de Campos - RJ, a empresas Thompson Black & Cia. enviou seus funcionnário de Ponte Nova, com a determinação de proceder a insalação do maquinário.
Conta o Dr. Ângelo Vieira Martins, em sua monografia intitulada "Uzina Anna Florência", que a equipe da Thompson era chefiada pelo técnicos Mr Thomaz e Mr. Alexandre.
Dirigiam os serviços de assentamento das peças de ferro, cobre e bronze Mr. Guilherme e os irmãos Inocêncio e Adalberto Alves Costa. Polycarpo de Oliveira administrava as obras de alvenaria.
No Ano de 1884, as máquinas importadas da Inglaterra para usina chegaram ao Rio de Janeiro. De lá até até a cidade de São Geraldo, seguiram em vagões da Estrada de Ferro Leopoldina Railway.
De São Geraldo até Ponte Nova, o transporte de grandes e inúmeras peças para a usina foi uma epopéia. Foram construídos vários carros de boi, com dimensões maiores que as dos convencionais, para transportarem os equipamento mais volumosos. Todos os carros em bom estado, disponíveis na região foram alugados, Trechos de estradas foram alterados para a passagem das máquinas e as porteiras, muito comuns mesmo nas estradas mais transitadas, tiveram seus esteio retirados.
Jarbas Sertório de Carvalho afirma, em seu "Aspectos da Indústria Açucareira no Município de Ponte Nova ", que o transporte dos equipamentos durou mais de quarenta dias e que, pelo menos, um acidente ocorreu nessa verdadeira aventura:
O veículo que transportava o "Vácuo" aparelho de colossal dimensão, já alcançava o alto da Serra de São Geraldo, quando rolou despenhadeiro abaixo.Foram necessários dias e a ajuda de moradores da região para que um novo trecho de estrada fosse feito para o resgate do "vácuo" daquele abismo.
A usina foi inaugurada no ano de 1885 e recebeu o nome de "Uzina Anna Florência". Tal denominação foi escolhida para homenagear dona Anna Florência Martins, esposa do major José Vieira de Souza e mãe dos irmãos Francisco, José, Ângelo e Francisca, sócios do empreendimento.
A capacidade inicial da usina era de 240 a 300 arrobas diárias, e sua primeira safra foi, em grande parte, exportada para Ouro Preto.
A Usina Anna Florência teve sua razão social alterada algumas vezes, e Sócios foram incluídos, prevalecendo, sempre, as figuras dos dinâmicos Francisco e José Vieira Martins à frente da empresa.
Novos investimentos eram feitos constantemente, para melhorar e aumentara produção, Foram adquiridas outras fazendas que, anexadas às terras da usina, permitiram a expansão das lavouras.
O açúcar da Anna Florência chegava ate os grandes centros e compunha exposições especializadas, que lhe conferiam vários prêmios e distinções.
Para facilitar e agilizar o transporte da cana das lavouras ate a usina, foram construídos ramais de uma pequena estrada de ferro, com 75 centímetros de bitola.
Esses e outros itens de sofisticada tecnologia contribuiram para que a Usina Anna Florência ocupasse, durante anos a fio, posição de destaque no Estado e no País.
Dos vários funcionários da Thompson Black & Cia. que vieram para Ponte Nova trabalhar na construção da usina, alguns se adaptaram tão bem na cidade que, com a conclusão das obras, se instalaram definitivamente na cidade, constituíram família e deixaram descendentes.
Polycarpo de Oliveira continuou em Ponte Nova, trabalhou na construção de outra usina e prestou relevantes serviços em inúmeras obras, de grande porte, no município e região.
Os irmãos Alves Costa encontraram, em Ponte Nova, suas esposas. Inocêncio casa-se com a imigrante italiana Emma Garavini, e Adalberto une-se a Balduina Lessa.
Com a inauguração da usina, em 1885, as presenças de profissionais como os irmãos Alves Costa tornaram-se imprescindíveis.
Os equipamentos precisavam de manutenção e constantes reparos. Assim, os Vieira Martins convenceram os irmãos Adalberto e Inocêncio a montarem uma grande oficina, na cidade, para o necessário serviço de assistência à Anna Florência e a outras propriedade que possuíam engenhos de cana.
Surgiu, então, no Largo Santa Rita, a "Fundição Progresso".
Por determinação de José e Francisco Vieira Martins, que muito se empenharam na instalação da fundição, assumiu as obras dos edifícios o experiente construtor Augusto Mayrink.
No ano de 1887, a oficina já funcionava com significativo número de funcionários, sob a administração dos irmãos Alves Costa.
Outra figura importante não só durante a construção da Usina Anna Florência, como também na instalação e crescimento da fundição, foi a do mecânico Emílio Garavini. Imigrante italiano, instalou-se, primeiramente, na Cidade de Rio Pomba.
Convidado pelos Vieira Martins para integrar a equipe que montaria a usina, Emílio aceita. Entretanto, impõe uma condição: que fossem trazidos, da Itália, sua mãe viúva e seus irmãos menores, pois estava decidido a se fixar, definitivamente, em Ponte Nova.
Da Anna Florência, Emílio Garavini acompanha Adalberto e Inocêncio para a fundição, o qual se dedica ate sua morte.
Outro nome que se acha intimamente ligado à históna da Fundição Progresso é o de Acácia Martins da Costa.
Vindo jovem para Ponte Nova, empregou-se, em 1892, naquele estabelecimento, como aprendiz de mecânico. Anos mais tarde, em 1922, Acácio assume a construção da Jatiboca, tomando-se um de seus grandes acionistas e a ela se dedicando durante todo o resto de sua longa existência.
Outras usinas, ou engenhos centrais foram instaladas no município.
José Mariano Duarte Lanna, animado com a construção do trecho da Estrada de Ferro que ligava Ponte Nova à Estação de Piranga (hoje Xopotó),inaugurado em 30 de junho de 1886 por D. Pedro II e que cortava grande parte de suas terras, resolveu seguir o exemplo dos irmãos Vieira Martins.
Associou-se ao coronel José de Almeida Campos, a seus tios capitão Ignácio Mariano da Costa Lanna e capitão Venâncio Mariano da Costa Lanna e a seu primo, filho deste último, José Mariano Gonçalves Lanna.
No ano de 1887, já inauguravam o Engenho Central do Piranga, que tinha capacidade para produzir, em apenas 16 horas de trabalho, 400 arrobas de special açúcar.
Os modernos equipamentos do Engenho Central do Piranga, unidos, naturalmente, à qualidade da matéria-prima e à capacidade de seus funcionários e administradores, produziam um açúcar que foi apreciado em grandes centros, conferindo prêmios à segunda usina construída em Ponte Nova.
A Primeira Exposição Brasileira de Açúcares e Vinhos realizada em janeiro de 1889, na Escola Politécnica do Rio de Janeiro, por exemplo, premiou a Companhia Engenho Central do Piranga, proprietária da usina.
Alguns anos mais tarde, uma série de dificuldades, incluindo a política governamental para o setor açucareiro, levou a dissolução da sociedade e da companhia.
Os equipamentos modernos e eficientes foram vendidos a Henrique Dumont, irmão de Alberto Santos Dumont, que, transferindo-os para Ribeirão Preto (SP), reequipou uma usina de sua propriedade.
A terceira usina instalada em Ponte Nova foi a Vau Açu, na fazenda de mesmo nome, no ano de 1888.
O surto desenvolvimentista estimulava o investimento, e os tradicionais e pacatos agricultores passaram a aplicar seus lucros na instalação de indústrias e modernização de suas propriedades.
O major João José Pereira do Monte, com o falecimento de seu pai, o capitão Sebastião José Pereira do Monte, tornou-se proprietário da Fazenda do Vau Açu, a mesma que fora construída pelo padre João do Monte, fundador de Ponte Nova.
A disponibilidade de água farta e em locais adequados serviu para a montagem de rodas d'água, que movimentaram um grande engenho.
Esse engenho, assim como as três turbinas, os aparelhos de vapor e demais equipamentos foram importados da França.
A Usina do Vau-Açu produzia, no ano de 1889, 200 arrobas de açúcar diariamente.Essa produção seguia toda para o Rio de Janeiro, onde era comercializada.
Esse empreendimento teve como sócios, além de João José, os senhores Eliziário Pereira Serra e Arthur Victor Serra.
Nesta época, apesar da existência de três engenhos centrais em Ponte Nova, as grandes fazendas não desativaram suas fábricas de rapadura e aguardente. No final do século XIX, eram 116 as propriedades rurais que mantinham seus engenhos funcionando.
Nessa ocasião surgiu, também, a figura do "fornecedor de cana". Eram fazendeiros que, não utilizando toda a cana plantada em sua propriedade, vendiam o excedente para a usina mais próxima.
Com as reformas, ampliações e aquisições de maiores e mais modernos equipamentos para as usinas, veio a necessidade de aumentar as áreas plantadas com cana. Assim, proprietários cujas terras eram vizinhas das usinas iniciaram a formação de grandes lavouras para suprir as necessidades das usinas pontenovenses.
As demais usinas de Ponte Nova foram instaladas no século XX, são elas: Usina Jatiboca, em 1920; Usina do Pontal, em 1935; Usina São José, em 1935; e Usina Santa Helena, em 1940.
- Extraído do Livro "Ponte Nova 1770 -1920, 150 anos de História,
- do escritor Antônio Brant À este,, todos os créditos.
- Observemos, que por falta de registros reais, advindos do arquivo histórico municipal, acerca dos imigrantes e de seus préstimos braçais nas usinas que funcionaram em Ponte Nova no século XIX, coibiu os magnânimos autores desta obra, os irmãos escritores e historiadores, "Antônio Brant e João Brant, de mencionarem nesta matéria, os prestimos braçais desta brava gente, que aqui aportaram com suas humildes vestes e poucos trastes envoltos em sacos, e que no municipio fixaram residência e contribuíram beneficamente com a cultura local.
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